Projetos de MDL podem gerar US$ 6 bilhões
Em menos de dez anos, o mercado de créditos de carbono, uma fonte de renda nascida da preocupação mundial com os efeitos das mudanças climáticas, tornou-se uma possibilidade real de negócio que movimentou US$ 118 bilhões em suas várias formas somente em 2008. Mais do que isso: apesar da crise econômica e das incertezas sobre o encaminhamento de um acordo internacional pós-Protocolo de Kyoto, em Copenhague, a expectativa é de crescimento. "A possibilidade de os Estados Unidos aumentarem sua participação no mercado abre novas perspectivas", afirma Flávio Rufino Gazani, da Abemc (Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono), criada no fim do ano passado para agregar empresas que desenvolvem projetos nesse setor.
Esse tipo de negócio começou a ganhar força após a assinatura do Protocolo de Kyoto, o primeiro compromisso global com prazos e metas de redução de emissões de gases como o CO2 (dióxido de carbono) e outros que contribuem para o aumento da temperatura global. Ele estabelece que, entre 2008 e 2012, os países mais industrializados devem reduzir suas emissões de gases em 5,2% em relação aos níveis de 1990, com metas expressas em termos da soma ponderada de todas as suas emissões.
Como muitos países têm dificuldade para cumprir essas metas, Kyoto criou os chamados mecanismos de flexibilização para auxiliá-los. Dois deles são exclusivos dos países desenvolvidos: a Implementação Conjunta de Projetos (IC) e o Comércio de Emissões (CE). O terceiro é o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que interessa particularmente ao Brasil e outros países menos industrializados que, apesar de se comprometerem em estabelecer programas de redução, não são obrigados a ter metas quantitativas.
Segundo Antônio Carlos Porto Araújo, consultor de energia renovável da Trevisan, "o MDL funciona como um mecanismo de cooperação internacional, estimulando o apoio dos países desenvolvidos a projetos de aumento de eficiência energética e uso de energias renováveis que reduzam as emissões nos países mais pobres". Por meio da certificação desses projetos e a posterior venda dos certificados às empresas sediadas nos países desenvolvidos, eles podem contabilizar como seus os índices reduzidos, partindo do princípio de que os gases que contribuem para o aumento da temperatura se misturam na atmosfera independentemente das fronteiras políticas.
Mesmo antes da entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, em 2005, diversos governos e empresas já vinham estabelecendo formas de comércio de emissões. Na ausência de uma regulamentação por parte do governo americano - que não assinou o acordo internacional - em 2003 começou a funcionar a Chicago Climate Exchange (CCX). Atualmente, dezenas de Estados americanos, bancos, fundos hedge e bolsas nos Estados Unidos se envolvem na negociação voluntária de créditos. Além disso, um projeto de lei no Senado deve resultar em cortes de carbono da ordem de 2 bilhões de toneladas provenientes de compensações, metade das quais podem vir a ser obtidas internacionalmente.
Os projetos do MDL, porém, têm regras mais rígidas do que o mercado voluntário e demoram cerca de dois anos para serem aprovados. O Brasil possui hoje 467 projetos em alguma fase do ciclo de avaliação, dos quais 145 já foram aprovados. Em volume, representam uma redução de 363 milhões de tCO2e (tonelada de carbono equivalente) - que deixam de ser jogados no ar. Se aprovados na totalidade, esses projetos podem indicar mais de US$ 6 bilhões de dólares de aporte para as empresas nacionais.
<<
VOLTAR << |