PIB do segundo trimestre sobe 6,1% ante mesmo período de 2007
O PIB brasileiro, em valores correntes, alcançou R$ 716,9 bilhões, no segundo trimestre de 2008, divulgou o IBGE na manhã desta quarta-feira. A alta, de 6,1% em relação ao mesmo trimestre de 2007, superou a expectativa de analistas, que era de 5,2%.
Na comparação entre os primeiros semestres de 2008 e 2007, o PIB subiu 6%, um total de R$ 1,38 trilhão. O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país em um determinado período.
Nos últimos doze meses, PIB acumula 6,0% em relação aos doze meses anteriores - taxa que resultou da elevação de 5,4% do Valor Adicionado a preços básicos e do aumento de 9,2% nos Impostos sobre Produtos.
No segundo trimestre de 2008, o PIB subiu 1,6% em relação ao trimestre anterior (série com ajuste sazonal), também superando as previsões do mercado, de 1%. O maior destaque foi a Agropecuária, com crescimento de 3,8%, seguida por Serviços (1,3%) e Indústria (0,9%).
O crescimento da Agropecuária pode ser explicado, em grande parte, pelo desempenho de alguns produtos importantes que possuem safra relevante no trimestre. Esse é o caso, por exemplo, do café em grão, do milho, do arroz em casca e da soja, com estimativas de crescimento na produção para 2008 de 27,7%, 12,8%, 9,6% e 3,6%, respectivamente.
Na Indústria, o destaque foi a Construção Civil (9,9%), beneficiada pelo aumento de 5,0% da população ocupada no setor e pelo crescimento nominal de 26,7% de operações de crédito para o setor de habitação. A Indústria Extrativa cresceu 5,3%, em grande parte decorrência do aumento de 5,1% da produção de petróleo e gás e de 7,3% da produção de minério de ferro. Em seguida vieram a Indústria da Transformação (4,8%) e Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (4,5%).
Financiamento
A necessidade de financiamento do Brasil no primeiro semestre de 2008 foi de R$ 14,270 bilhões, a maior da série deste indicador produzida pelo IBGE desde o segundo trimestre de 2001. O indicador guarda semelhanças com os do balanço de pagamentos, divulgado pelo Banco Central, embora seja diferente e expresso em real, enquanto os do BC são em dólar.
Segundo o IBGE, a necessidade de financiamento corresponde ao déficit em conta corrente mais a conta de capital (do balanço de pagamentos) e inclui também um proporção de energia cedida por Itaipu e uma estimativa de contrabando, obtida por diferenças entre dados oficiais de consumo e oferta.
Análise
Para Pedro Raffy Vartanian, consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria, o aumento da renda decorrente do crescimento gera efeito imediato sobre o consumo. “É a inflação de demanda, na qual os aumentos dos preços são ocasionados pelo aumento do consumo.”
Segundo o economista, isso deve levar o Banco Central a aumentar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual hoje, na reunião do Comitê de Política Monetária. "Os bons números de queda observados nos últimos indicadores não significam uma mudança de tendência”, opina.
Na avaliação de Vartanian, a inflação de demanda deve ser mais intensa no último trimestre do ano, "razão pela qual o Banco Central tem praticado uma política monetária fortemente contracionista".
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