Poupança em tempos de crise
Em tempos de crise, será que existe algum porto seguro onde colocar o dinheirinho conquistado com tanto sacrifício? A turbulência que tem abalado os mercados financeiro e de capitais mundo afora exige cautela.
Sobretudo do pequeno investidor — aquele que dispõe de quantias entre R$ 5 mil e R$ 20 mil para aplicar. Comprar dólares? Vender suas ações? Nada disso. Para analistas consultados, a velha caderneta de poupança é uma alternativa, ao lado dos fundos de investimento, por serem opções conservadoras, de menor risco embutido. ´Nada melhor do que a boa caderneta de poupança e fundos de investimento extremamente conservadores´, resume José Maria Porto Sobrinho, analista e consultor financeiro. A primeira, não cobra taxa de administração nem imposto de renda. No segundo caso, ele aconselha optar por fundos lastreados em títulos públicos federais. ´Qualquer problema que venha a ocorrer com a instituição financeira, o que é uma situação bastante remota no Brasil, não haveria perdas para o investidor, pois ele está aplicando em títulos do governo´. É bom lembrar que aplicações como poupança e Certificados de Depósito Bancário (CDB — títulos emitidos por bancos, usados como uma forma de captar recursos para suas operações de crédito) contam com a segurança do Fundo Garantidor de Crédito de até R$ 60 mil por CPF. ´Mais um motivo para o pequeno investidor ficar tranqüilo. Se ele aplicou em fundos ou poupança e a instituição quebrar, ele tem a garantia de receber integralmente até R$ 60 mil, por pessoa física´, diz.
O consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria, Pedro Vartanian, concorda que o pequeno investidor tem que partir para aplicações mais garantidas. ´A poupança surge como uma das melhores opções, inclusive em relação aos fundos de renda fixa, pois sobre estes são cobradas taxas de administração que podem anular o ganho frente à caderneta´, argumenta o especialista.
Rentabilidade
Vartanian informa que a poupança deve render 7% ao ano. ´O retorno é baixo mas é garantido´, frisa. Quanto aos fundos, também sugere escolher os lastreados pelo governo porque a rentabilidade vai se basear na taxa básica de juros da economia, a Selic, que está em 13,75% ao ano, com forte tendência de aumento, já que o Banco Central usa a Selic para conter a inflação.
A poupança registrou até o mês passado um retorno financeiro de 5,63%. Seu rendimento acompanha a variação da TR (Taxa Referencial). Só em setembro, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), apresentou decréscimo de 11,82%.
Para José Maria Porto, o investidor deve ´fugir de aplicações com derivativos, principalmente fundos de investimento com alavancagem´.
NA CADERNETA
Captação recua pelo terceiro mês seguido
São Paulo. A captação da cader neta de poupança ficou em R$ 1,461 bilhão em setembro (diferença entre depósitos e saques realizados no mês), abaixo dos resultados registrados nos dois meses anteriores. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, no mês passado, os depósitos somaram R$ 95,7 bilhões e os saques, R$ 94,3 bilhões. Com esse resultado, o saldo acumulado de depósitos na caderneta de poupança chegou a R$ 257,6 bilhões. A procura pela caderneta de poupança caiu cerca de 50% nos nove primeiros meses deste ano. Entre janeiro e setembro, os depósitos feitos pelos poupadores superaram os saques em R$ 10,017 bilhões, ante R$ 19,719 bilhões captados no mesmo período do ano passado.
Em 2007, a poupança terminou o ano com uma captação recorde de R$ 33,38 bilhões. Apesar da queda até setembro, a expectativa é que, em 2008, a poupança registre o segundo melhor resultado desde 1995. A poupança, que é isenta de IR, registrou até o mês passado um retorno financeiro de 5,63%. O rendimento da poupança acompanha a variação da TR (Taxa Referencial).
Samira de Castro
Repórter
O QUE ELES PENSAM
Cobrada agressividade do BC
Neste momento de forte contração do crédito internacional e com uma maior e crescente dificuldade das nossas empresas e nossas instituições financeiras na renovação e contratação de linhas de crédito externas é chegado o momento do Banco Central ser mais agressivo na liberação dos compulsórios bancários. O que não podemos e não devemos fazer é continuar com compulsórios sobre os depósitos à vista de 53%, de depósitos a prazo de 23% e de recursos da poupança de 30%, quando a média da zona do euro é de 3%, dos EUA de 10%, da China de 16,5%, etç. Assim sendo está na hora do Banco Central liberar parte dos R$ 260 bilhões retidos a título de compulsórios dando assim mais recursos para que o sistema financeiro possa compensar a falta de crédito externo e poder usar tais recursos para fomentar e atender nossas empresas e nossa economia.
Miguel José Ribeiro de Oliveira
Vice-presidente da Anefac - Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade
O Brasil está hoje, mais protegido contra crises externas, como jamais esteve na sua história moderna. Graças a dois fatores. Primeiro, contra a opinião conservadora, o governo Lula decidiu incrementar o nível de reservas cambiais que, pela primeira vez na história, superou, em volume, à dívida externa líquida. Isso quer dizer que o Brasil tem mais dinheiro que pode pegar à vista, para qualquer necessidade, do que toda a sua dívida, que vai vencer nos próximos 30 anos. Mas, lamentavelmente, por erro de coordenação do Banco Central, estamos trabalhando com déficits de transações correntes cavalares. Porém, como o patamar de crescimento dobrou, saímos de 2,5% para algo em torno de 4,5%, ao ano, temos, hoje, em investimentos diretos estrangeiros, mais do que o suficiente para tampar esse buraco. Mas ainda assim teremos impactos na vida do povo. Vamos cair do patamar de 6% de crescimento ao ano, para 3%.
Ciro Ferreira Gomes
Deputado federal
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=578575
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