Blecaute foi 4 vezes maior por falha no sistema

REDE DE EMERGÊNCIA DEMOROU PARA ENTRAR EM OPERAÇÃO NO SUDESTE. DEFEITO NA REDE PROVOCOU EFEITO CASCATA EM 18 ESTADOS BRASILEIROS

O corte no fornecimento de energia no apagão de terça foi quase quatro vezes maior do que poderia ter sido devido à demora da entrada em operação do sistema de proteção do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), que isola falhas e barra o efeito cascata de queda de usinas e linhas de transmissão.

É que o sistema, todo automatizado, não agiu imediatamente quando o primeiro conjunto de linhas de Itaipu sofreu a pane provocada, segundo o governo, por curto-circuito em três linhas em razão de fortes ventos, chuvas e raios na região da subestação de Itaberá (32 km de SP).
Segundo especialistas e o próprio presidente da Eletrobrás, José António Muniz, o sistema do ONS -chamado de Erac (Esquema Regional de Alívio de Carga}- não funcionou como deveria na região Sudeste e não cortou imediatamente a carga de energia transportada na linha que liga Itaipu a Tijuco Preto, em Mogi das Cruzes (Grande SP).

Se isso tivesse ocorrido, uma área menor, com consumo correspondente a esse volume de energia, ficaria sem luz.

O professor da UFRJ Roberto Schaeffer e o diretor-executivo da Abrate (associação das empresas de transmissão de energia elétrica), César de. Barras, dizem que o mais grave foi o fato de o problema não ter sido "isolado" na linha de Itaipu e ficado restrito a uma área menor.
O sistema do ONS funciona em cada subestação de energia e é composto por relés equipamentos que monitoram a tensão nas linhas e cortam automaticamente o fornecimento de energia em caso de queda na tensão, um sinal de problema na geração ou transmissão. A tensão é a "força" que possibilita o transporte de energia entre dois pontos. Os relês são programados, a partir de estudos técnicos feitos para cada região, para interromper o fornecimento a determinadas áreas, de acordo com a redução na tensão. Ou seja, quanto maior a queda de tensão, mais áreas ficam sem energia.

Como o sistema não funcionou imediatamente, houve sobrecarga no segundo conjunto de linhas de Itaipu (de Foz do Iguaçu a Ibiuna, em São Paulo), que também não foi desligada. Teve início, então, o efeito dominó: São Paulo, Rio e outras regiões que não foram cortadas começaram a "puxar" energia e sobrecarregar outras usinas e linhas de transmissão, desligadas automaticamente por segurança, diz Barros.

O diretor de operação do ONS, Luís Eduardo Barata, contesta a avaliação e diz que o sistema funcionou corretamente e impediu uma propagação ainda maior do apagão. Permitiu ainda que as áreas afetadas no Nordeste e no Sul voltassem a receber energia em até 30 minutos.

Investimento é metade do autorizado
O Grupo Eletrobrás, que controla grande parte dos sistemas de geração e transmissão de energia elétrica do Brasil, investiu, até setembro, W/o dos recursos previstos no Orçamento de 2009, tanto na geração de energia quanto na transmissão.

Os dados foram divulgados após levantamento no site Contas Abertas mostrar que, até agosto, a estatal havia investido 38% do previsto. De acordo com o levantamento, dos RS 7,2 bilhões autorizados para investimentos em 2009- a maior verba prevista desde 2000- RS 2,8 bilhões foram desembolsados nos primeiros oito meses.

A Eletrobrás é a empresa controlada pelo governo que detém metade do capital da Itaipu, desligada totalmente pela primeira vez na história durante o apagão que atingiu 18 Estados na terça-feira. Ela prevê que, até o fim do ano, investirá entre 70% e 80% da verba autorizada. "A realização do orçamento é impactada pelos procedimentos legais e ambientais que necessitam ser cumpridos", informou a assessora da empresa.

De acordo com cálculo feito pela Trevisan Consultoria, o custo para aperfeiçoar, expandir, modernizar e dar mais segurança à rede de fios que trazem energia das usinas ao consumidor seria de RS 6 bilhões. O valor não inclui gastos com a construção de usinas de geração.

 

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