Baixa renda vai reaquecer economia

Bárbara Ladeia
O valor que será injetado no mercado deverá chegar às mãos das pessoas certas. Esse é o objetivo maior das medidas de redução de tributação anunciadas pelo governo. Para especialistas, agregar poder de compra às classes mais baixas é a estratégia básica para retomar o giro da economia.
"A medida vem para manter postos de trabalho de pessoas de baixa renda. Não adianta dar emprego para os poupadores, o dinheiro tem de estar em circulação na economia", aponta António Faricelli, professor de Economia da UniABC. "É um público que faz prestação, compra bens duráveis e estimula a indústria manufatureira em diversos setores."
O efeito da medida deverá ser rápido, tendo em vista que estimula setores da economia de longa cadeia produtiva. Tanto a construção civil quanto o setor automobilístico empregam maciçamente o perfil alvo da ação do governo. "Cria-se uma cadeia positiva de emprego, convocando de volta ao mercado
os trabalhadores de baixa renda de forma rápida", aponta Faricelli, que divide a opinião com Alcides Leite , professor da Trevisan Escola de Negócios. "O efeito vai ser rápido e começará por dois setores bastante influentes, com grande efeito multiplicador", explica Leite. No entanto, os três meses de vigor das decisões não convenceu o especialista. Para Leite, "a medida em construção vil deve durar o ano todo", em prorrogações como no caso do IPI.
Com o primeiro semestre tradicionalmente desaquecido graças à quantidade de impostos e compras decorrentes do início do ano, o primeiro sinal de reversão do cenário deverá vir a partir de agosto, quando as festividades, o alívio dos compromissos anuais e a chegada da primeira parcela do 13° salário oferecem uma trégua ao bolso do brasileiro. "No segundo semestre estaremos começando mostrar um bom desempenho", avalia Leite.
Olivier Girard, da direto-ria de transporte e logística da Trevisan Consultoria , no entanto lembra que tais medidas não podem ter caráter permanente. "É o ideal para o mercado voltar ao normal. Três meses é a medida." Girard entende que a renúncia fiscal não deve prejudicar os cofres do governo, uma vez que "os impostos em folhas de pagamentos e outros tributos que ficaram sem ajustes devem compensar as perdas."
Especializado no mercado automotivo, Girard vê a medida com otimismo "Estimo que o volume de vendas vá continuar alto. O mercado ainda tem fôlego."
Em três meses, o especialista já espera um retorno dos volumes de exportação. "A recuperação será paulatina, mas teremos uma realidade positiva, bem inferior ao ano passado, mas satisfatória."

<< VOLTAR <<

 
 
 
Consultoria