Instituições privadas também são responsáveis por questões globais
10 de Março de 2009 - Embora os brasileiros achem que o governo é um dos principais responsáveis por solucionar questões globais, como acesso à saúde, custos com energia e aquecimento global, a população acredita que as empresas também têm papel fundamental na solução destas questões.
Apenas 1% das pessoas ouvidas pela Edelman no Estudo de Confiança afirma acreditar que as empresas não têm nenhum papel na solução de questões sociais e ambientais. Dentre os entrevistado, 17% afirmam que as companhias devam fazer algo sozinhas e a grande maioria, 81% dos consultados, creem que as companhias devem investir em melhorias sociais e ambientais na comunidade em que atuam por meio de parcerias com governos e grupos de interesse.
"Ninguém consegue resolver questões como essas sozinho", avalia Paulo Vodianitskaia, assessor de sustentabilidade e relações institucionais da Whirpool para América Latina, concordando com a maioria dos brasileiros, que também acreditam que parcerias entre empresas e governos ou ONGs sejam a melhor solução para cuidar de problemas sociais e ambientais do País.
A Whirpool, que atua no Brasil com as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, mantém uma série de parcerias nesse sentido. Um dos projetos, chamado de Consulado da Mulher, promove ações com o objetivo de gerar trabalho para mulheres de baixa renda e com pouca escolaridade. Atua nas cidades de Rio Claro (SP), Joinville (SC), Manaus e São Paulo em conjunto com as prefeituras.
O projeto Brastemp Viva! também é baseado em parceria, mas não com o governo, e sim com uma ONG, chamada Instituto Supereco. A ideia é desenvolver soluções ecologicamente corretas para o destino das embalagens dos produtos das marcas da Whirpool. A iniciativa retira na casa do consumidor as embalagens dos produtos Brastemp e Consul e, a partir daí, envia esse material para a ONG, que é focada na educação ambiental como ferramenta estratégica para a conservação do meio ambiente da comunidade carente de Tamboré, bairro de Barueri. Desde 2003, quando o projeto teve início, foram doadas 34 toneladas de papel e filme plástico.
Parte integrante
"A empresa é vista como parte integrante da sociedade e por isso tem suas obrigações", diz Antonio Carlos Porto Araujo, consultor da Trevisan Consultoria e ambientalista, resumindo aquele que acredita ser o pensamento dos brasileiros que responderam a pesquisa. Para Araujo, cada vez mais os produtos estão se tornando commodities, e um dos caminhos para agregar valor à marca é investir em responsabilidade socioambiental. "É como se a empresa tivesse que dar algo em troca para ser reconhecida pelo consumidor. Só o produto ou serviço já não basta", explica o consultor.
"Como os preços são mais ou menos os mesmos atualmente, o consumidor vai optar pela empresa que tiver engajamento com as questões da comunidade em que está inserida", diz.
Vodianitskaia considera essa mudança de comportamento dos consumidores um marco. "É um fenômeno brasileiro de transformação dos papéis das empresas".
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