BM&FBOVESPA: Bolsa recua mais de 2% com decepção vinda da China

SÃO PAULO, 5 de março de 2009 - Depois de recuar quase 3% durante a manhã, o índice acionário da BM&FBovespa reduziu o ritmo de perdas e, há pouco, registrava desvalorização de 2,24%, aos 37.542 pontos, ajudado pela leve valorização das ações da Petrobras. O giro financeiro estava em R$ 1,61 bilhão. Os investidores ficaram decepcionados quanto a não divulgação do pacote de incentivo econômicos chinês. Ao invés de anunciar novas medidas de estímulo econômico, o governo apenas detalhou o pacote US$ 585 bilhões, divulgado em novembro de 2008. O mercado esperava que o premiê, Wen Jiabao, ampliasse esse valor, o que não ocorreu. Ao detalhar o plano, Jiabao assegurou que a China "poderá manter o crescimento econômico em torno de 8%" em 2009. A projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) chinês deu fôlego aos investidores, fazendo as principais praças acionárias da Ásia encerrarem a sessão em alta. As notícias vindas da Europa também não são positivas. O Banco Central Europeu (BCE) reduziu nesta manhã a taxa básica de juros de 2% para o mínimo histórico de 1,5%, sendo o quinto corte desde outubro de 2008. "Trata-se de uma medida para fazer frente a recessão", afirmou, em nota, a entidade monetária. O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) também cortou os juros em 0,5 pontos percentual, para 0,5% ao ano. Os dados vieram em linha com as expectativas do mercado. Ainda por lá, foi confirmada a recessão na zona do euro (16 países que utilizam moeda única). O PIB da região retraiu 1,5% no quarto trimestre de 2008 - a pior retração desde que os países adotaram o euro, em 1999. "A redução das taxas de juros para níveis próximos de zero nas economias avançadas mostra a gravidade da crise. No entanto, o mesmo não deve ocorrer no Brasil, já que a retração da atividade econômica se deu de forma menos intensa do que nos países desenvolvidos. Além disso, a expectativa de inflação para 2009, em torno de 4,5%, converge para o centro da meta", afirmou Pedro Raffy Vartanian, consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria e professor da Trevisan Escola de Negócios. No âmbito corporativo, duas grandes empresas brasileiras anunciaram seus resultados hoje. A Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), maior fabricante de cervejas da América Latina, anunciou que obteve lucro líquido de R$ 964,5 milhões no quarto trimestre de 2008, o que representa uma queda de 14,6% em comparação com o mesmo período de 2007. E a Braskem que teve prejuízo R$ 2,4 bilhões em 2008 devido a desvalorização do real frente ao câmbio. (Vanessa Correia - InvestNews)



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