Investimentos recordes

Susy Laguárdia
Apesar do crescimento, empresas brasileiras investem pouco, afirmam analistas
Nunca se investiu tanto em tecnologia como hoje. A Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) lançou recentemente um estudo que mostra que 2008 já é o ano com maior investimento em Tecnologia da Informação (Tl) das duas últimas décadas. A pesquisa sobre Administração de Recursos de Informática nas Empresas ouviu 60% das 500 maiores companhias do país e mostra que em 2007 os gastos, incluindo investimentos, folha de pagamento e treinamento em geral, foram em média, de 5,7% do fatura-mento líquido, enquanto que em 2001, por exemplo, era de 1,8%. Segundo o ideali-zador do relatório, professor Fernando Meirelles, esse crescimento é positivo para o Brasil, pois o aumento dos investimentos reflete a evolução tecnológica. "Se você não aumentar os gastos e investimentos em tecnologia não consegue melhorar o sistema de informação", afirma.

Para Meirelles, o resultado da pesquisa mostra que o país está se informatizando, e quanto mais nos informatizarmos, mais temos que investir. Segundo o diretor de Operações da Trevisan Consultoria, Edison Cunha, outro ponto que é importante observar, é o aumento do número de empresas que investem em tecnologia. Ele não soube precisar o crescimento, mas disse que as pequenas e médias empresas começaram a investir em TI influenciadas pelas grandes, que inauguraram o mercado.
Apesar da diminuição dos preços de softwares e hardwares, os gastos não param de crescer. Segundo o professor Meirelles, o que mais encarecem as despesas em TI nas empresas são custo com pessoal e licenças de uso de programas. Apesar dessa despesa poder ser diminuída com a adição de softwares livres, como o Linux, por exemplo, a pesquisa aponta que, ainda sim, os programas pagos são vitoriosos no mercado. Até o início deste ano, 97% dos sistemas operacionais das empresas de grande e médio porte eram da Microsoft, revela o estudo.

Mas, o que levam mesmo os empresários a investir mais em tecnologia é a agilidade do trabalho e'a segurando Conselho Administrativo da Orguel, que trabalha com equipamentos para construção e indústria, Fábio Guerra, conta que a empresa sempre teve problemas com tecnologia, mas precisa dela para sua gestão.

A primeira solução tecnológica foi adotada pela Orguel ainda em 1976 e, segundo Guerra, era apenas uma máquina eletrônica não tinha integração para outras áreas. Os investimentos mais substanciais em TI começaram há cerca de 10 anos, quando modernizaram todo o sistema de gestão. Eles adquiriram um ERR sigla em inglês que significa Planejamento de Recursos Empresariais, ou seja, um software que interliga todos os setores de uma empresa, cruza informações e facilita a gestão.

Guerra afirma que o grande ganho da empresa foram rapidez e segurança. Outro ponto positivo, segundo o executivo, foi a economia conquistada depois da integração. Fazem parte da Or-guel 11 empresas e 64 filiais, e esse foi um dos desafios na hora de fazer a escolha do processo de TI que seria implementado. O presidente atribue à nova área de TI, uma grande força que incentivou o crescimento médio de 30% ao ano. "Não teríamos condições de crescer se não tivéssemos essa tecnologia", afirma. O executivo não quis revelar quanto a empresa investiu, mas admite que ultrapassou os R$ 500 mil. Atualmente, a empresa está modernizando o setor de da-tacenter para integrar todas as empresas do grupo em um só relatório.

Outra organização que sofreu uma forte estruturação foi o Cruzeiro Esporte Clube. Em 1999, quando ganhou novo parceiro internacional, precisou elaborar balanços mensais envolvendo todo o clube, inclusive folha de pagamento, investimentos, despesas e outros, que são enviados todo quinto dia útil de cada mês à matriz, nos Estados Unidos. Segundo o responsável pela área de TI do Cruzeiro, Aristóteles de Paula Loureto, com o antigo sistema isso seria impossível. Eles tiveram que adquirir um software de gestão para conseguir todas as informações em tempo real. Operação que consumiu investimentos na ordem de R$ 500 mil, incluindo despesas com hardware.

Antes de aderir ao novo sistema, o clube possuía vários softwares trabalhando de forma não integrada. Por causa disso, as informações, se tivessem que ser enviadas nunca chegariam a tempo. A empresa teve que ser toda re-estruturada para ter condições de implantar o ERP. O maior benefício para Loureto é a possibilidade de ter as informações em tempo real, além de ter 95% de informatização da empresa.

Identificar demandas é maior desafio

Apesar da pesquisa da Fundação Getúlio Vargas apontar que o investimento na área de TI por parte das empresas está crescendo, há fatores que ainda impedem um aumento maior. Segundo o vice-presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet de Minas Gerais (Assespro-MG), lan Campos, o que mais impede o desenvolvimento nessa área é a falta de informação por parte das próprias empresas, que, muitas vezes, nem sabem o que precisa. De acorco com campos, esse problema é comum também nas médias empresas.

O executivo explica que um dos principais erros é definir de forma inequívoca as necessidades, resultando em compra errada de tecnologia "Muitas vezes a pessoa vê a maior dificuldade da empresa e quer solucioná-la sem analisá-la antes. Ela acaba buscando a solução mais barata, sem ver se ela realmente resolveria a questão", explica Outro problema comum nessa área é a mão-de-obra inadequada "É comum a empresa ter a solução correta, mas os responsáveis pela área não conseguem explorar todos os recursos disponíveis", conta Campos. Segundo o executivo, a falta de qualificação dos profissionais agrava o problema. Para ele, uma das formas de ajudar a melhorar os números da pesquisa é dar uma formação adequada e treinamentos aos profissionais da área de TI.
A própria Assespro-MG possui um centro de orientação às empresas, que ajuda a encontrar soluções para a área de TI. O empresário paga uma consulta de R$ 70 e conta com orientação de um consultor sobre os passos que deve seguir. A Assespro ainda aponta lugares onde os empresários podem encontrar soluções necessárias a preços mais baixos.

Organizar setores é primeiro passo

O primeiro passo para uma empresa melhorar o seu setor de TI é se organizar em todos os setores, é o que ensina o diretor de Operações da Trevisan Consultoria, Edison Cunha Ele explica que quando se pensa em implantação de um processo ou programa de tecnologia existem duas vertentes: As empresas que ainda não estão preparadas ou organizadas e passam a perder o dinheiro gasto, pois não aproveitam os resultados; e as empresas que se organizam melhor e, por isso, obtêm um retorno sobre os investimentos feitos.

Depois que a empresa está toda organizada, é preciso analisar quais são as pendências e necessidades de cada setor. Mesmo que a empresa não possua muitos recursos, há sempre soluções que ajudam, mesmo parcialmente, e se enquadrem em determinadas carências. É preciso analisar o tipo de investimento, onde, quando e quanto podem gastar. Assim, verificar como gastar e em que tipo de programa 'Não adianta comprar uma solução e não conseguir extrair o que ela tem para oferecer", explica Cunha Para Cunha os preços de implantações no Brasil não estão caros. Existem atual-mente softwares e hardwares de baixo custo sem deixar de ter qualidade. Mesmo os softwares considerados livres, podem ser adaptados aos processos das empresas ou a ERPs, dependendo do tipo de solução necessária.

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