Sustentabilidade é novo alvo das consultorias
Cynara Escobar
O amadurecimento dos investimentos socioambientais privados no Brasil e a entrada de novas empresas interessadas em alinhar conceitos de sustentabilidade aos seus negócios têm ampliado a atuação das grandes empresas de auditoria e consultoria, como PriceWaterhouseCoopers e BDO Trevisan. Ambas são veteranas no assunto, tanto na estruturação de projetos de sustentabilidade como em auditoria de relatórios sociais. De olho nesta área, Ernst & Young, KPMG e Deloitte Touche Tohmatsu também criaram recentemente suas divisões para atuar neste mercado.
Com mais de dez anos de atuação nesta área no Brasil, a Price Waterhouse Coopers (PwC) registra uma expansão de 30% ao ano atendendo a essa demanda e espera mais, por conta dos investimentos que devem aportar no País, motivados pela obtenção do grau de investimento concedida pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.
"Com a elevação do Brasil, teremos uma série de fundos comprando empresas aqui, e a área ambiental é uma parte importante da análise de riscos para os investidores", comenta Ernesto Cavasin, gerente da área de sustentabilidade da PwC.
O consultor acredita que terá demanda de serviços de due diligence, ou seja, para a análise e avaliação dos aspectos ambientais das empresas brasileiras com potencial para receber estes investimentos. "Teremos demanda destes fundos para entender a composição do valor que a parte de passivos ambientais agrega na composição das empresas", aposta o consultor.
Atualmente, a consultoria possui mais de 30 clientes em toda a cadeia de serviços da área de sustentabilidade, que envolve consultoria a projetos de sustentabilidade, elaboração de relatórios sociais, desenvolvimento de projetos de crédito de carbono, inventariado de emissões e de indicadores ambientais e análise de ciclo de vida dos produtos, que analisa o impacto dos produtos no meio ambiente. "O que acontece atualmente é que muitas companhias fazem investimentos aleatoriamente. O que fazemos é orientar os investimentos das empresas para que elas obtenham um retorno mais eficiente".
Por uma política interna, a empresa não pode divulgar seus clientes atuais, mas garante que já atendeu companhias como a Energias do Brasil, Natura, Sadia e Perdigão e realizou a auditoria dos projetos de reflorestamento executados pela SOS Mata Atlântica. Segundo Cavasin, grande parte dos clientes é de grande porte, mas também existem casos de pequenas empresas e Sociedades de Propósito Específico (SPEs), em busca de acesso à capital. "Isso porque, se as empresas querem ter mais investidores e acesso a capital, elas têm de se adequar aos padrões ambientais e conhecer seus riscos", diz.
Este tipo de análise acompanha a divisão desde 1992, quando a área de sustentabilidade iniciou suas atividades através de parcerias com outras empresas. "O nosso primeiro cliente foi uma fábrica de tintas em Campinas. Depois, prestamos consultoria ao Banco Mundial para apoio à analise de investimentos em controle ambiental", comenta o gerente.
A chegada do Protocolo de Kyoto, em 1997, abriu as portas para a empresa atuar na área de auditoria ambiental. "Evoluímos na área de auditoria e análise ambiental das empresas, que é uma extensão do trabalho que fazemos para os clientes de auditoria financeira, ajudando na gestão dos riscos ambientais", aponta.
Trevisan Próximo de completar 25 anos, o grupo Trevisan, que nas áreas de auditoria, consultoria, terceirização e ensino também deve entrar no rol de empresas prestadoras de contas das ações socioambientais. Membro do Instituto Ethos, Antoninho Marmo Trevisan, fundador do grupo, escolheu a data comemorativa para publicar o primeiro balanço social da empresa. "Vamos publicar nosso primeiro relatório de sustentabilidade este ano", relata Mauro Ambrósio, sócio responsável pela área de sustentabilidade da BDO Trevisan, empresa de consultoria e auditoria do grupo.
Com sete anos de atuação na área de sustentabilidade, a BDO Trevisan aponta um crescimento de 20% da divisão este ano. Atualmente, ela atende 100 empresas, de tamanho variado, como Bridgestone Firestone, Colégio Dante Alighieri e a usina Itaipu-Binacional. "A demanda está tão alta que eu chego a realizar duas visitas por dia a empresas interessadas no assunto", diz.
Para se ter idéia do potencial deste mercado, a consultoria realizou uma pesquisa para identificar o universo de empresas que realizam ações de sustentabilidade. "Hoje há mais de mil empresas que publicam relatórios sociais. Detectamos 4 mil empresas que fazem ações relacionadas à sustentabilidade, que vão da escolha socialmente responsável de fornecedores a ações de governança corporativa, entre outras."
A empresa faz auditoria de balanços sociais e dá consultoria para a definição de planos estratégicos de sustentabilidade. De cada três novos projetos que chegam à companhia nesta área, dois são para auditoria. Há quatro anos, a relação era de um para três.
"A expansão dos serviços de auditoria deve-se à necessidade de obter mais segurança interna na prestação das informações dos balanços sociais e à demanda por mais transparência na prestação de contas, estimulada pela adoção do padrão internacional GRI, criado pela ONG holandesa Global Reporting Initiative (GRI) e adaptada ao Brasil pelo Instituto Ethos, para a elaboração de relatórios de sustentabilidade", afirma.
A empresa também tem demanda para orientação estratégica de programas de sustentabilidade, que está sendo otimizada com a aplicação de um software de gestão. "Fazemos um plano estratégico, que avalia os pilares sociais, ambientais, econômico-financeiros e de governança corporativa, e aplicamos essa ferramenta, para avaliar os indicadores e identificar o que deve ser melhorado", diz. Fonte:
http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=9&id_noticia=230970
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