Competitividade menor preocupa exportadores

Para especialistas não é possível especificar um patamar mínimo para o câmbio que seja confortável para todos os exportadores (Foto: Thiago Gaspar)
Pequenas e médias empresas devem ser as mais prejudicadas, sem folga no caixa ou acesso facilitado ao crédito

A valorização do real em relação ao dólar, nas últimas semanas, reacendeu no setor exportador uma velha preocupação: a perda de competitividade dos produtos brasileiros lá fora, assim como a queda de receita das empresas que atuam no comércio internacional, sobretudo para aquelas já que fecharam contratos na perspectiva de um câmbio mais valorizado. Nesse sentido, apontam os especialistas na área, quem mais poderá sair prejudicado com a situação são as pequenas e médias empresas.

Sem folga no caixa ou facilidade de acesso ao crédito para financiar a exportação, explica Olavo Henrique Furtado, consultor do Núcleo de Negócios Internacional da Trevisan Consultores, as pequenas e médias tendem a perder mais espaço do que as grandes empresas brasileiras que vendem para o exterior. ´É claro que todos sairão prejudicados, mas quando se pensa numa grande empresa, devido à sua maior estrutura, apesar do impacto ser grande, ainda assim será menor que nas pequenas e médias, que têm mais dificuldade de caixa e acesso ao crédito para exportar´, justifica. E os prejuízos aumentam, acrescenta Marta Campelo, gestora do Programa de Internacionalização do Sebrae-CE (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará), no caso daquelas empresas que fecharam contratos no exterior na perspectiva de maior valorização da moeda norte-americana. ´Agora, como os valores contratados anteriormente não podem mais ser modificados, existe uma preocupação muito grande de como ficará a receita do exportador, que será menor do que no momento da contratação´, justifica a especialista.

Com isso, emenda, volta à tona uma velha reclamação dos empresários do setor: a menor competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. ´Como conseqüência, algumas empresas poderão até reduzir a sua participação no comércio exterior, passando a destinar maior parcela da produção para o mercado interno´, argumenta a especialista.

Patamar

Mas até onde podem suportar os exportadores, se o dólar continuar perdendo força frente ao real? Para Olavo Henrique Furtado, da Trevisan Consultores, não dá para especificar um patamar mínimo para o câmbio, que seja confortável para todos os exportadores. ´Até porque cada setor trabalha de forma diferente, que depende, por exemplo, do volume de negócios e da sazonalidade. Mas, hoje, do jeito que está não é positivo e o governo precisa agir urgentemente´, fala.

Para Marta Campelo, se o câmbio voltar a uma faixa entre R$ 2,10 e R$ 2,20, apesar de não se configurar como um patamar ideal para o setor exportador, pelo menos dará para as empresas conseguirem manter a regularidade do volume da produção que é destinado para as vendas externas, assim como o cumprimento dos prazos. ´Entretanto, na perspectiva do exportador, a cotação ideal para o dólar ainda seria na faixa dos R$ 2,50, o que significaria mais fôlego para as empresas e mais competitividade para os produtos nacionais lá fora´, defende a especialista.

Porém, de acordo com ela, um câmbio abaixo dos R$ 2,00 é algo que definitivamente deve ser evitado para não prejudicar ainda mais o setor. Até porque, acrescenta, Furtado, não se pode deixar de lado o fato de que o mercado lá fora está desaquecido, o que potencializa os problemas inerentes ao dólar baixo. ´Se já não está se conseguindo vender no exterior por conta da crise, estes problemas tendem a ser ainda maiores com o câmbio baixo. Daí a urgência de o governo agir o quanto antes´, argumenta Marta Campelo.

ANCHIETA DANTAS JR.

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