Sai amanhã decisão para Fiat e Chrysler
Justiça dos EUA vai se pronunciar sobre plano que prevê venda de ativos sadios da empresa americana para a italiana
Paola Carvalho
A venda da Opel, subsidiária alemã da General Motors (GM) encerrou um dos capítulos da crise do setor automotivo mundial, mas mais novidades são esperadas para esta semana. A Justiça americana deve se pronunciar amanhã sobre o plano que prevê a venda dos ativos sadios da Chrysler a um consórcio estruturado em torno da Fiat. O juiz Arthur Gonzalez prometeu uma definição se o grupo italiano, os sindicatos de trabalhadores e os governos dos Estados Unidos e do Canadá poderão controlar a “nova Chrysler”, já reestruturada, em troca do pagamento de US$ 2 bilhões a credores. A Chrysler pediu concordata no fim de abril em Nova York.
Se aprovada, a Fiat teria, inicialmente, 20% de participação na empresa, mas o percentual poderá aumentar para 51%. Dessa forma, fabricaria modelos compactos e mais econômicos para, finalmente, ter acesso ao mercado consumidor americano, que cobiça há anos.
Emmanuel Dunand/AFP
Anúncio da General Motors na Times Square, em Nova York: começam a cair os obstáculos para recuperação da montadora líder nos EUA há 77 anos
A conclusão da aliança e a recuperação da Chrysler é a principal meta da Fiat, com a bênção da Casa Branca, conforme já declarou o presidente da empresa, Sergio Marchionne. Mas, há outras ações no radar. Agora que perdeu a Opel, pode partir para cima da sueca Saab, que também pertence a uma divisão europeia da General Motors. O pedido de mais de 300 milhões de euros para salvar a Opel, apresentado pela GM, teria inviabilizado o negócio e acrescentado “riscos desnecessários” à operação. O desfecho acabou com os rumores de que, se adquirisse a Opel, a Fiat também poderia levar a GM brasileira e argentina.
Para o especialista no setor automobilístico Olivier Girard, diretor da Trevisan Consultoria, a Fiat está bem posicionada no mercado e tem condições de crescer mesmo nesse cenário de crise econômica mundial. “Nesse mercado ninguém está bem, mas a Fiat é uma das montadoras que está menos pior. Então, comparando com a situação das americanas, pode avançar sim entrando na Chrysler”, afirmou, destacando ainda que a operação brasileira, que responde por cerca de 30% a 40% do resultado da matriz, pode dar um bom fôlego ao negócio.
Segundo ele, a Saab também seria um ótimo negócio para a montadora ganhar mais espaço, já que o braço da GM na Suécia é de grande importância no mercado europeu. Avalia também que, para um mercado, não é um mau negócio a Opel ter ficado com a canadense Magna. A disputa entre a empresa e a Fiat para levar a Opel, foi movida por interesses distintos. Para a Fiat significaria a consolidação de sua presença na Europa e crescer de tamanho sem maiores desembolsos, já que o governo alemão pode entrar com recursos necessários para a revitalização da montadora. Já para a Magna, tratava-se de uma batalha pela sobrevivência. (Com agências)
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