Inflação já afeta aplicação financeira

Remuneração dos fundos de renda fixa sofre com o aumento nos índices inflacionários. Até investimentos em ações estão sendo atingidos

Giovanni Sandes
gsandes@jc.com.br

Renato Lima
renatolima@jc.com.br

O dragão da inflação golpeou o mercado de renda fixa, no mês passado. Os investidores assistiram o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) crescer 1,98% e fechar o primeiro semestre com um acumulado de 6,82%. Com isso, nesse primeiro round de 2008, a rentabilidade dos principais fundos de renda fixa perdeu a luta. Nessa corrida contra a inflação, até o mercado de ações ficou para trás, mesmo nas tradicionais aplicações com FGTS na Vale do Rio Doce e na Petrobras.

“O IGP-M é um índice que ancora contratos diversos, como aluguéis, e capta tanto os reajustes de preços para o consumidor quanto os de matérias-primas e mão-de-obra da construção civil, por exemplo. Nos últimos 12 meses, subiu 13,44%, o que é alto para nossos padrões”, comenta o professor Pedro Vartanian, da Trevisan Consultoria e Escola de Negócios.

A Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) divulgou, na última segunda-feira, um levantamento consolidado com dados até o último dia 26. De acordo com a Anbid, os fundos de renda fixa cresceram 0,93% no mês e 5,73% no ano. E no mercado de renda variável, que oscila devido a fatores conjunturais como altas de commodities como preço do petróleo e do aço, os fundos com FGTS na Vale caíram 13,64% no mês e no acumulado do ano, a retração foi de 5,38%.

O consultor financeiro Humberto Veiga diz que a taxa real negativa é passageira. “O mercado vai demandar juros maiores do que a inflação para os empréstimos. Isso aconteceu em um mês, mas não no ano”, enfatiza.

Para se defender da inflação, o investidor pode optar por fundos de renda fixa que têm em sua carteira títulos que são remunerados por juros e variação do IGP-M ou do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País. Essa opção tem se popularizado até em bancos de varejo, como o Banco do Brasil ou Unibanco. Há ainda a opção de comprar títulos vinculados à inflação através do Tesouro Direto, que neste momento possui 11 títulos indexados ao IPCA para venda.

A velha poupança ainda tem rendimento acanhado, mas, dependendo do fundo comparado, pode rivalizar. “Para alguns fundos DI de grandes bancos, com taxa de administração próxima a 4% ao ano, a poupança se iguala”, diz o especialista.

Para o analista financeiro do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), Jordão Resende, como a inflação medida pelo IPCA ainda não cresceu mais do que os fundos de renda fixa – a parcial desse índice, o IPCA 15, foi de 0,9% em junho – o investidor deve ter calma. “Não dá para vender ações ou mudar o foco do investimento em momentos de baixa. O ideal é se desfazer das posições em alta”, recomenda.

Fonte:
http://jc.uol.com.br/jornal/2008/07/02/not_288582.php

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