Demitir nem sempre é a melhor saída
Renato Carbonari Ibelli
Especialistas recomendam aos Micros e Pequenos Empresários examinar outras alternativvas
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem aconselhado os empreendedores a não optarem pela demissão como alternativa à redução de custos nessa crise. Essa saída, diz Enio Duarte Pinto, gerente da unidade de atendimento individual do Sebrae Nacional, pode ser "um tiro no pé" dos micros e pequenos, porque implica na redução imediata da receita e deixa as empresas desestruturadas para encarar as oscilações positivas do mercado. A melhor solução para reduzir os gastos no período de turbulência é memorar o controle de custos do negócio, aconselha Pinto.
Para o gerente do Sebrae, demitir nesse momento faz escoar os lucros das micros e pequenas empresas. Isso não acontece apenas como resultado dos custos da rescisão contratual e de eventuais processos trabalhistas. De acordo com ele, empresas desses portes têm uma dinâmica produtiva muito volátil. Ou seja, um único contrato fechado pode exigir o dobro da capacidade produtiva, o que fica mais difícil de ser alcançado com a redução do quadro de funcionários. "Aí, junto com os gastos com o passivo trabalhista, entram os custos para recontratar funcionários, o que exige investimentos em processos seletivos, capacitação e adaptação do novo empregado."
Além disso, segundo o gerente do Sebrae Nacional, uma micro ou pequena empresa possui em média três funcionários. Nessa realidade, o corte de um deles significaria mais de 33% de redução na força de trabalho. "Isso se agrava porque negócios desse porte se concentram em serviços e comércio, segmentos que dependem significativamente do pessoal para gerar receitas."
A alternativa à demissão sugerida pelo Sebrae é redobrar o controle dos custos fixos da empresa, profissionalizando a gestão. De acordo com o gerente do Sebrae, chegar a esse ideal envolve procedimentos simples, muitas vezes ignorados por empresa menores. Um exemplo de controle gerencial: providenciar a compra de mercadorias e matéria-prima somente após ter em mãos as contas a receber, para evitar gastar mais do que entra em caixa. "Vemos muitas empresas com problema de capital de giro correndo em busca de financiamento, embora muitas delas estejam com os estoques superlotados. Nesse momento, em lugar de se endividar, é preferível fazer promoções para desovar o estoque."
Controlar os custos em lugar de demitir também é o conselho de Edson Cunha, diretor de operações da Trevisan Consultoria. Segundo ele, é comum ver empresas pequenas insistirem em colocar no mercado linhas de produtos de baixa rentabilidade unicamente para não perder um nicho específico. "Em um período de crise, é melhor abandonar essas linhas e concentrar os esforços em produtos que vendam bem", recomendou.
Além dos gastos trabalhistas, entram os custos para recontratar,os investimentos em seleção, capacitação e adaptação.
Enio Duarte Pinto, do Sebrae
Em um período de crise/é preferível concentrar esforços em produtos que, comprovadamente, vendam bem.
Edson Cunha, da Trevisan
Negociar benefícios é alternativa
Com a crise, é possível que a micro e pequena empresa não consiga sair do vermelho, mesmo se controlar custos. Ainda assim, a recomendação é de não demitir. O advogado Leonardo Collesi Lyra Jubilut
apresenta outra solução: a negociação com sindicatos para fechar acordos de redução da jornada de trabalho e de salário. "Muitos acreditam que só grandes empresas conseguem dialogar com sindicalistas, então desistem dessa alternativa", diz o advogado.
Fará Jubilut, as chances das pequenas nesses acordos são até maiores. Como as tratativas envolvem um número menor de trabalhadores, fica mais fácil o diálogo. Segundo ele, também é possível propor redução ou suspensão temporária de benefício como vale alimentação, que têm valores estabelecidos por acordos sindicais.
Para lançar mão dessa opção, o primeiro passo é enviar uma notificação formal aos sindicatos que defendem os interesses dos trabalhadores da empresa,.
Segundo Jubilut, a demissão não é uma opção" viável porque envolve custos elevados. Quando é injustificada, a empresa precisa arcar com o aviso prévio, mais 40% de multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Além de férias vencidas e o proporcional do 13° salário. Isso sem contar eventuais processos trabalhistas. (RCI)
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