ENTREVISTA COM JOSÉ ALEXANDRE HAGE


O entrevistado da coluna ‘5X Petróleo’ desta semana é o consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria e professor do curso de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios, José Alexandre Hage. O executivo irá abordar temas como energia, negócios internacionais e a crise mundial

1X O Senhor estará lançando o livro Energia, a Política Internacional e o Brasil dia 10 de dezembro em São Paulo. O que o motivou a escrever esse livro?

O que me motivou a organizar esse livro foi a carência existente tanto no mercado editorial quanto na universidade de um trabalho que procurasse englobar a energia em vários aspectos, no político, no econômico, no militar, no tecnológico e outros. Assim, tive a sorte de ser bem compreendido por importantes pesquisadores que aceitam meu convite para os textos que integram o livro por mim organizado. Penso que assim daremos uma boa contribuição para os debates e estudos sobre energia.

2X Hoje em dia o tema Energia esta em alta, principalmente com a descoberta do Pré-Sal. Essa descoberta nos coloca entre as maiores potencias petrolíferas mundiais. Como o Brasil deve se posicionar frente a Política Internacional?

Não há dúvidas de que as reservas do pré-sal são uma dádiva econômica e política para o Brasil. Mas é necessário ter muita prudência e paciência para transformar os bens da bacia de Tupi em riqueza nacional, a favor do desenvolvimento. Prudência porque as questões técnicas ainda são importantes, por exemplo, temos material à altura do esperado? A Petrobrás e demais empresas compreendem totalmente as peculiaridades técnicas da área; outra questão, como andam os recursos econômicos para tal, com o barril de petróleo perto de 55 dólares? Havia a estimativa de que o pré-sal seria viável com o barril a mais de 80 dólares. E paciência porque os recursos dessas jazidas devem demorar perto de cinco ou seis anos para começarem a florescer.

3X O Senhor é consultor da Trevisan Negócios Internacionais e professor do curso de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios. Como o senhor vê o profissional de Relações Internacionais atualmente? Houve alguma mudança no perfil dos profissionais?

Sim, não há mais profissional de relações internacionais e afins que não tenham o mínimo de interesse pela questão energética. Isso pode ser encontrado nos trabalhos de conclusão de curso da graduação em que há alunos que querem se graduar compreendendo a energia, o etanol, Angra II, história da Petrobrás etc. Certamente o interesse presente é um grande sinal de que a energia passa a ser componente relevante das reflexões acadêmicas, já que profissionais elas sempre foram. O que muda é que o profissional pode obter um suporte intelectual que pode ser útil nas relações das empresas com o mundo da energia.

4X Atuando como consultor de negócios internacionais, o Senhor percebe alguma mudança nas empresas na hora de elaborar suas estratégias? Existe a preocupação em montar um planejamento global, que não se limite apenas ao Brasil?

Está é uma preocupação que tende a crescer. As empresas procuram sim apresentar estudos mais bem feitos no campo da energia; se preocupam na formação de planejamentos sem os quais as empresas podem passar por complicações financeiras e técnicas. O que antes era de exclusividade das megaempresas, agora pode ser encontrado a serviços de pequenas empresas.

5X Não podemos fugir do tema Crise Mundial. Como o Senhor analisa essa crise? Terá grandes impactos no Brasil?

Sim, o Brasil não tem como escapar dos efeitos da crise financeira mundial. Embora seja lugar comum dizer que estamos integrados pelo mercado internacional, mesmo assim esta expressão tem fundo de verdade. Boa parte dos interesses econômicos brasileiros foi internacionalizada, incluindo no campo energético. Mas é também necessário compreender que o Brasil está menos vulnerável aos ataques globais do que há dez ou quinze anos. Talvez porque tenha havido nova preocupação com as estruturas de poder público que ainda são urgentes nos países, desenvolvidos ou não. Sobre essa assertiva se pode ver na maneira de como os países se preocupam para sanar suas questões mais fortes, com instrumentos políticos que não podem ser negligenciados a favor de um tipo de mercado.



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