Frota brasileira rejuvenesce e tem só 5% de "latas velhas"

Idade média dos veículos em 2008, no boom de vendas, era de nove anos

Ana Paula Pedrosa

A frota brasileira está mais jovem. Com a explosão das vendas de veículos em 2008 - o melhor ano da história para o setor -, a idade média dos automóveis, ônibus, caminhões e comerciais leves passou de nove anos e cinco meses em 2007 para nove anos no ano passado.

Os dados são de um estudo do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Desde o ano 2000, a idade média oscilava entre nove anos e três meses e nove anos e seis meses, sem uma variação maior, como aconteceu no último ano.

"Há uns 15 anos, a idade média da frota brasileira era de 14 anos. Agora, já estamos em nove anos e a tendência é continuar descendo", avalia o diretor de Transporte. Logística e Infraestrutura da Trevisan Consultoria, Olivier Girard. Segundo ele, ainda há muito espaço tanto para aumentar, quanto para renovar a frota brasileira. "Nos Estados Unidos e na Europa, a idade média dos veículos está muito mais para cinco anos do que para nove", diz.

Cerca de 60% dos veículos brasileiros têm até dez anos de uso, enquanto apenas 5% têm acima de 20 anos - e aí o estado de conservação depende mesmo é do dono. O gerente comercial Emiliano Quintela foi um que colaborou para renovar a frota. Há dois meses ele trocou um carro 1995 por um zero km. "A manutenção do carro antigo era muito alta", diz.

Sobre o aumento da frota, a expectativa é manter o ritmo de crescimento alcançado em 2008. Os principais fatores de estímulo ao setor são a volta do crédito aos níveis de antes da crise econômica e a manutenção da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até o fim do ano. O benefício terá volta escalonada de outubro a dezembro.

Alta. A pesquisa mostrou que o Brasil tem 27,8 milhões de veículos, entre automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões. O número é 7,5% maior do que em 2007. O crescimento é o maior em 28 anos.

Os comerciais leves são os mais "jovens", com média de oito anos e três meses de uso. Há cerca de quatro milhões desses veículos em circulação no país. Já a idade média dos caminhões é a mais alta, dez anos e dez meses. São 1,3 milhão de caminhões no Brasil. Os ônibus são 305 mil unidades, com idade média de nove anos e seis meses.

Os veículos bicombustíveis são 24% do total e ganham terreno rapidamente, graças à venda de carros novos. Em 2006, cerca de 73% da produção da indústria nacional era de carros flex. Em 2008, o percentual de bicombustíveis subiu para 86% da produção nacional.

A pesquisa mostra ainda que os carros importados estão circulando mais no Brasil. Há nove anos, eles eram 8,8% do total. Em 2007 chegaram a 9,3% e, no fim do ano passado, um em cada dez veículos era importado.

Ford prevê crescimento de 9,9% nas vendas no Brasil
São Paulo. A Ford prevê para 2009 vendas melhores que as projetadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A montadora calcula que o mercado interno tenha condições de absorver de 3,050 milhões a 3,100 milhões de veículos, o que representa uma alta de até 9,9% ante 2008. A Anfavea estima vendas de 3 milhões de unidades, um avanço de 6,4%.
O presidente da Ford para o Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, está otimista com o mercado interno também para o próximo calendário. Ele acredita que o fim do desconto do IPI para veículos novos será compensada pela retomada da atividade econômica, redução das taxas de juros e maior disponibilidade do crédito.

Estável
Motocicletas. Em 2008, a idade média das motos em circulação no Brasil era de quatro anos e oito meses, igual à de 2007. Desde o ano 2000, o número oscila entre quatro anos e seis meses e quatro anos e nove meses.

Crescimento
Em quatro anos, 77% mais motos

O que motoristas e pedestres percebem diariamente, a pesquisa do Sindipeças constatou: entre 2004 e 2008, o número de motos nas ruas cresceu 77% e chegou a 8,55 milhões. Se depender do administrador Felipe Pedroso Castelo Branco, a frota vai continuar crescendo. “Até outubro eu compro a minha moto”, planeja.

Ele diz que tem medo do veículo de duas rodas, mas vai optar por ele para economizar tempo e dinheiro. “Eu pego seis ônibus por dia. Com o dinheiro do vale-transporte, eu pago a prestação e ganho tempo”, calcula. (APP)

 


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