Nove meses espetaculares
E outros três melhores do que no do mundo. Assim foi 2008 para as 500 maiores empresas brasileiras
O tempo de uma gestação. De janeiro a setembro de 2008, as 500 maiores empresas brasileiras, retratadas nesta edição do especial AS MELHORES DA DINHEIRO, viveram dias inesquecíveis. O suficiente para desbravar novos mercados, conquistar clientes e ampliar drasticamente a receita. Esses nove meses espetaculares, infelizmente, foram interrompidos pela chegada da crise financeira internacional, que acabou prejudicando os balanços do último trimestre. Ainda assim, o ano de 2008 foi memorável. As 500 maiores empresas brasileiras expandiram seu faturamento em 30,12%. E o clube do bilhão também cresceu. Das 500 maiores, 408 já apresentam faturamento anual superior a R$ l bilhão - em 2007, eram 337 as empresas que faziam parte desse grupo. Receitas acima de R$ 5 bilhões já são atingidas por 80 empresas, 12 a mais do que no ano anterior. E, no seletíssimo grupo daquelas acima de R$ 10 bilhões, o clube também cresceu em uma dúzia, passando de 34 para 46 companhias. "A pesquisa comprova que o Brasil atravessou bem a crise e tem cada vez mais companhias de porte global", avalia o consultor Antoninho Marmo Trevisan, sócio da consultoria Trevisan, parceira da DINHEIRO nesta empreitada.
Os números das empresas são um reflexo da ousadia dos empreendedores nacionais e também do momento espetacular da economia brasileira. Em 2008, o PIB nacional cresceu 5,1% e chegou a R$ 2,9 trilhões - o faturamento das 500 maiores, de R$ 2,2 trilhões, já representa 75% do total. Também em 2008, o Brasil fechou suas contas com reservas internacionais de US$ 207 bilhões e um superavit comercial de US$ 24,7 bilhões. Se o lado externo não apresentou problemas, ainda melhores foram -os dados das contas públicas. De 2007 a 2008, o Brasil reduziu sua dívida interna de 43,9% para 38,8% do PIB, segundo dados do Ministério da Fazenda. "No terceiro trimestre de 2008, já estávamos crescendo num ritmo anualizado de 7% ao ano", disse à DINHEIRO o ministro Guido Mantega. "O susto do último trimestre foi grande, mas já ficou provado que não era necessário pisar no freio de maneira tão forte." De fato, dados de hoje revelam
que a crise já ficou para trás e que a economia brasileira, sem qualquer pressão inflacionária, já voltou a rodar num ritmo de 4% ao ano - e com viés de alta.
O movimento atípico de 2008, com três trimestres excepcionais, seguidos de uma freada abrupta, está registrado nos balanços das empresas. "A pesquisa AS MELHORES DA DINHEIRO deixa claro que o problema do último trimestre foi meramente financeiro", diz Miguel Arab, economista da Trevisan que coordenou o trabalho de análise dos dados das companhias que participaram do levantamento. "Os dados operacionais, que medem a eficiência das empresas, foram muito bons." Em 2008, a margem Ebitda das 500 maiores, que mede a geração de caixa, ficou em 19,5% - acima dos 18,6% de 2007. No entanto, entre um ano e outro, o retorno sobre o patrimônio líquido caiu de 30,7% para 14,3%, em função do aumento dos cus tos financeiros verificados entre outubro e dezembro de 2008. Apesar disso, as empresas nacionais continuam com baixos índices de endividamento. Entre as 500 maiores, 39% praticamente não têm dívidas de curto prazo, com grande disponibilidade de caixa. E 33,4% praticamente não têm dívida alguma sobre o patrimônio. "As 500 maiores superaram seu grande teste de fogo e estão preparadas para o novo ciclo de crescimento da economia brasileira, que, na verdade, já começou", completa Miguel Arab.
Além de medir a força e a capacidade de resistência do setor privado brasileiro, a pesquisa AS MELHORES DA DINHEIRO também constatou que a agenda da sustentabilidade, com respeito ao meio ambiente e adoção das melhores práticas trabalhistas, passou, definitivamente, a fazer parte do dia
Dados do Ministério da Fazenda indicam que a crise do fim de 2008 ficou para trás e que o novo ciclo de expansão das empresas, hoje fortalecidas, já começou
a dia das empresas nacionais. O que também comprova a nova face do capitalismo brasileiro, marcado pela redução das desigualdades e pela inclusão nacional. A expansão média de 30,12% no faturamento das 500 maiores empresas brasileiras decorre, em grande medida, do sucesso dos programas sociais, que, nos últimos anos, agregaram 40 milhões de consumidores à classe média brasileira. E isso fez com que os ganhos se disseminassem. No universo das 500 maiores, nada menos que 359 expandiram seu faturamento em mais de 10%. E nada menos que 101 empresas viram sua receita crescer mais de 50%.
x<<
VOLTAR <<
|