Capacitar mão-de-obra será desafio para o setor
Os investimentos US$ 200 bilhões anunciados para o setor de óleo e gás no Brasil, mesmo em meio a um cenário de crise financeira mundial, por si só, deixam claro o potencial econômico desse segmento até 2013. Além do desenvolvimento de máquinas, equipamentos e tecnologias, as empresas públicas e privadas têm, pela frente, o desafio de formar e capacitar seus quadros de pessoal, como um recurso que, se continuar escasso, pode, inclusive, comprometer a realização dos projetos previstos.
De acordo com o diretor de Recursos Humanos para a América Latina da CH2M HILL, Jaime Martins, a expansão do setor vai provocar um aumento de 1.213% nas contratações de empregados de todos os níveis hierárquicos, desde os operacionais aos gestores. No entanto, essa grande oportunidade de trabalho só será acessível para os profissionais que já estiverem previamente qualificados para ingressar no setor ou que já tenham algum nível de experiência na área, um número irrisório se comparado à real demanda de pessoal.
"Os projetos anunciados para o setor devem entrar em fase de execução, em média, dentro de seis meses. A demanda hoje é reprimida mas vai explodir", afirmou. Esse é o prazo que as empresas possuem para capacitar a sua mão-de-obra ou formar os entrantes. Apostar em uma palestra de duas horas, no segmento de petróleo e gás, é correr um grande risco, visto que o nível de especialização é muito alto e requer um processo de treinamento e capacitação mais apurado.
Intercâmbio - A aproximação entre academia e setor produtivo pode ser parte da solução da falta de profissionais capacitados para atuar no setor de petróleo e gás. No caso dos cursos de engenharia, que estão sendo "repaginados" por iniciativa do governo federal, é imprescindível incluir na grade curricular conhecimentos mais apurados de gestão. "A formação técnica é muito boa mas falta a esses profissionais a habilidade para gerenciar projetos, processos e pessoas", alertou.
O consultor de Energia Renovável e Sustentabilidade da Trevisan Consultoria, Antônio Carlos Porto Araujo, destacou que também o setor de óleo e gás terá que atuar de forma sustentável. "No caso do Pré-Sal, não há nem como importar técnicos porque o Brasil é pioneiro nessa matéria", enfatizou. Por isso, a saída para o apagão de mão-de-obra já anunciado para o segmento vai depender das empresas do ramo.
No entanto, o país está em descompasso visto que a definição dos marcos regulatórios para o pré-sal ainda não foram devidamente comunicados para a comunidade acadêmica, como uma oportunidade ímpar de carreira, tanto pelo número de vagas envolvidas quanto pela possibilidade de desenvolvimento de carreira em projetos que terão duração média de 5 a 10 anos.
Para Araujo, as organizações não podem esquecer que a capacitação de mão-de-obra demanda tanto tempo quanto a construção da infraestrutura necessária para viabilizar os investimentos e torná-los rentáveis. "A formação das pessoas deve acontecer na mesma velocidade." (LS)
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