Smart abre a invasão dos carros supercompactos no Brasil
Fortwo chega com preço a partir de R$ 57.900.
Mini Cooper e Fiat 500 vão incrementar nicho no país.
Priscila Dal Poggetto Do G1, em São Paulo
Nas ruas de Paris, Roma, Londres e Berlim o pequeno smart fortwo (é assim mesmo, com todas as letras minúsculas) já faz parte da paisagem urbana. Com apenas 2,7 m de comprimento, motor de 84 cavalos e lugar para duas pessoas – como o nome já diz -, o modelo conquista os adeptos a veículos compactos e econômicos. No Brasil, o carro está sendo lançado nesta quarta-feira (1º) pela Mercedes-Benz - o G1 publica a matéria de avaliação nesta quinta-feira (2) -, e contará primeiramente com apenas uma concessionária, em São Paulo. Afinal, no país, os carros supercompactos que estreiam este ano - smart fortwo, Mini Cooper e o Fiat 500 - são para poucos.
Aqui, a versão coupé do fortwo chega por R$ 57.900 e a versão cabrio (conversível) por R$ 64.900. Isso porque ele é importado da França e paga alícota de 35% na importação. No país natal, por exemplo, a versão coupé sai por 9.900 euros (R$ 30.432), já a conversível por 13.450 euros (R$ 41.345). Ou seja, mais acessível aos consumidores europeus e nicho de mercado no Brasil.
Como adiantou o G1 durante o Salão de Paris de 2008, a entrada da smart em 2009 nos mercado brasileiro e chinês é um passo de extrema importância para a empresa. Ao revelar a chegada da marca nos dois países, o chefe de projeto de produtos da smart, Peter Moose, destacou que os próximos anos serão muito favoráveis à venda dos modelos, devido ao perfil do carro – além de compactos, são mais econômicos e menos poluentes.
Público alvo
De acordo com o sócio-diretor da Trevisan Consultoria e especialista no setor automobilístico, Olivier Gerard, os modelos supercompactos atraem mais o público jovem, de até 30 anos. No caso do smart, Gerard acredita que agradará em especial as mulheres.
E o grupo alemão Daimler – dono das marcas smart, Mercedes-Benz, Maybach e AMG – sabe muito bem que o volume de vendas no país deverá ficar bem longe das 30 mil unidades por ano comercializadas na Itália, por exemplo. E será pela “exclusividade” e design e conceito inovadores que a marca quer ganhar força no país, como acontece com a maioria dos veículos considerados “de nicho”.
O efeito sobre a decisão de compra é semelhante ao que acontece com o Volkswagen New Beetle ou até mesmo com o Chrysler PT Cruiser - ambos possuem como principal destaque o design. No ano passado, a Volkswagen vendeu 4.386 unidades do modelo com linhas inspiradas no Fusca. Já o estiloso PT Cruiser totalizou 2.460 unidades emplacadas em 2008.
Importação independente
E os importadores independentes mostram que trabalhar com veículos de nicho é um bom negócio. Desde 1998, quando a smart entrou no mercado europeu, a empresa importadora Forest Trade, em São Paulo, traz o fortwo. Vendido até então por R$ 98 mil, o modelo, assim como o Mini Cooper, chama a atenção de quem quer um segundo carro.
“Normalmente, a pessoa já tem um carro, viajou para a Europa e gostou do modelo por ser diferente”, observa o gerente de marketing da empresa, Fábio Souza. “A gente já trouxe 250 unidades do smart. No caso do Mini Cooper, importamos 350 unidades desde 2002”, afirma Souza.
Agora com a importação oficial do fortwo e do Mini Cooper as empresas que trazem tais modelos apelarão ainda mais pela exclusividade. “Venderemos por encomenda modelos encontrados somente na Europa”, diz.
Smart, Mini e Fiat
Trazer um novo conceito de carro em um período de crise econômica com preço nada acessível pelos parâmetros brasileiros será um grande desafio, segundo Olivier Gerard.
“É um negócio que funciona bem na Europa, porque lá o carro tem um preço razoavelmente baixo, precisamos ver o que vai acontecer no Brasil. Com a crise, esta é uma época ‘estranha’ para lançamento de carros de nicho, sem ser baratos. Mas vamos esperar para ver”, observa o consultor.
Época incerta ou não, a cartada da Mercedes-Benz não deixa de ser a primeira jogada de uma montadora pela disputa do segmento de supercompactos que, em breve, terá concorrentes de peso.
A BMW confirmou o lançamento oficial do Mini Cooper para este ano e a Fiat planeja para o segundo semestre a chegada do Fiat 500. O modelo italiano é uma releitura do famoso compacto lançado há 50 anos pela Fiat, com motor 1.4 16V de 100 cavalos de potência.
Se a moda pegar, as chances de futuras produções em fábricas brasileiras serão grandes, o que significaria preços mais acessíveis.
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