Modelos 'cross' e 'adventure' se consolidam no Brasil
Pioneira no segmento, a Fiat lançará a nova Palio Weekend Adventure em maio.
Renault também deve apostar nesse nicho jovem para aumentar vendas no Brasil.
Priscila Dal Poggetto
As fabricantes nacionais de veículos encontraram no conceito "aventura" uma porta para ampliar a venda de modelos já conhecidos no mercado. Hoje, com tantos "cross" e "adventure" nas ruas, enquanto uns modelos começam a ser reformulados, outros já apontam para entrar na disputa pelo consumidor aventureiro, mas que usa o carro mesmo na cidade. É o caso da nova geração do Fiat Palio Weekend Adventure, com lançamento previsto para o início de maio, e da versão cross do Sandero, que pode entrar no mercado nacional ainda este ano.
Estepe do lado de fora, bagageiro sobre o teto, adesivos diferentes, suspensão mais alta e acabamento interno mais esportivo. Esses são alguns dos itens que dão o apelo off-road nos carros. “Nada mais é do que uma maquiagem de um carro convencional. Você faz ele ficar mais esportivo, o que interessa bastante à classe mais jovem. Não é um SUV porque faltam vários itens como tração 4X4 e mais reforço na estrutura, como em amortecedores”, explica o sócio-diretor da Trevisan Consultoria e especialista no setor automotivo, Olivier Girard.
E essa “maquiagem” surgiu com o lançamento da própria Palio Adventure, em 1999, e virou febre depois que a Ford apresentou o utilitário esportivo EcoSport, que foi desenvolvido na plataforma do Fiesta e popularizou o segmento de SUV. Apesar de não ter nenhum SUV com o mesmo patamar de preço, o EcoSport enfrenta a concorrência de carros de outros segmentos, mas com o mesmo apelo.
O Cross Fox da Volkswagen, por exemplo, fechou 2007 com 26.806 unidades vendidas e, de janeiro a março deste ano, já comercializou 6.788 unidades. Já o Palio Weekend Adventure teve, no primeiro trimestre, 1.495 unidades vendidas. No mesmo período, saíram do pátio da Ford 11.269 unidades do EcoSport.
Para a gerente de produto da Ford, Adriana Carradori, o que faz o SUV liderar a categoria, além do preço, é a altura do veículo e a visibilidade maior. “As pessoas se sentem mais seguras por ser um veículo mais alto”, explica. A versatilidade também é um ponto a favor, segundo a gerente, reforçada pelos conceitos de aventura e liberdade.
Mesmo com o utilitário no mercado, a própria Ford se rendeu ao apelo off-road e transformou o antes kit “Trail” em uma das configurações do Fiesta. “O Trail foi lançado para pegar essa faixa mais baixa de preço, para concorrer com os veículos adaptados das outras marcas”, observa Adriana. Segundo a gerente, por mês são vendidas cerca de 500 unidades do Fiesta Trail. “Para um veículo que oferece o apelo, mas não a funcionalidade, é bem razoável”, comenta.
O mercado de SUVs
Apesar do sucesso do EcoSport e do forte crescimento das vendas do Hyundai Tucson — especialmente com o público feminino —, nenhuma montadora sinaliza em explorar melhor esse lado aventureiro do brasileiro. Porém, na opinião de Girard, a aposta da marca sul-coreana vai estimular a chegada de produtos da categoria no país. “Eu vejo que não existe montadora com linha de montagem específica para lançar SUV no Brasil. Se trouxerem um conceito para o mercado nacional, será um carro importado”, afirma Girard.
Embora a Renault não tenha divulgado informações sobre as intenções comercias no Brasil dos produtos criados na plataforma do Logan, sabe-se que a Dacia (marca do grupo na Romênia) trabalha na versão SUV do modelo, com carroceria baseada no Sandero (a versão hatch do Logan). Também há a possibilidade do protótipo Logan Steppe ser lançado como um utilitário esportivo.
Por enquanto, o brasileiro deve aguardar apenas o lançamento da versão cross do Sandero que, com base na versão Priviège, terá a suspensão elevada.
De acordo com o consultor, o movimento do mercado brasileiro a favor dos utilitários esportivos vai contra a tendência nos Estados Unidos. Apesar do apelo ecológico, esse tipo de veículo consome mais combustível. “Nos Estados Unidos, os consumidores começam a deixar o SUV de lado, por causa do combustível e das emissões”, diz Olivier Girard, ao levar em conta que a alta do petróleo elevou muito os preços dos derivados no mercado norte-americano.
Fonte:
http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL419549-9658,00.html
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